Ao desacelerar os iPhones, Apple tirou a opção de escolha dos usuários

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[Opinião] Enquanto a Apple confirma que desacelerou iPhones antigos, as fabricantes do Android estão aproveitando os últimos dias para nadar de braçadas no marketing negativo da Maçã.

De fato, isto é ruim para os usuários? Não é. Porém, a forma como a Apple resolveu introduzir a novidade é prejudicial para os usuários.


Mas, antes de entrar na polêmica em si, quero fazer uma analogia para que você, leitor, entenda como isso vai afetar o uso e experiência.

Imagine que Apple resolva ser uma montadora de automóveis. Além de luxuosos [e com um provável “notch” no para-brisa], os carros da Maçã possuam uma característica especial: eles limitam a velocidade conforme o envelhecimento da bateria.

Isso mesmo, não adianta acelerar que o carro que ele não vai andar mais rápido ou fazer aquela ultrapassagem que você necessita. O foco, segundo a Maçã, é manter o carro funcionando sem permitir que você, o motorista, possa definir seu estilo de viagem.

E, mesmo que você pare para encher o tanque e coloque uma gasosa premium, você não poderia se beneficiar da performance máxima do carro. Ou seja, isto só ocorreria com a troca da bateria em uma concessionária.

Absurdo, né? Pois bem, é exatamente isto que a Apple fez com seus clientes, embora muitos deles estejam satisfeitos em saber que seus aparelhos se tornarão ainda mais lentos com o tempo (detalhe: os aparelhos já ficam lentos com o tempo).

Então, qual seria a melhor forma de garantir maior autonomia da bateria e manter o usuário no controle do seu dispositivo?

A Samsung e outras fabricantes têm a resposta em seus aparelhos. Também podemos mencionar o modo de economia, que é um pouco menos robusto, do próprio Android.

No caso da Samsung, em particular, uma opção de economizar bateria oferece a capacidade de redução da velocidade da CPU com apenas alguns toques. Fique tranquilo, é tudo automático.

Na prática, a escolha é sua: melhor performance e bateria mais curta? Performance reduzida e bateria mais longa? Sim, quem define é você, conforme seu uso em um determinado momento.

Caso você prefira algo no “estilo Apple”, é possível ainda que o modo de economia de bateria seja ativado automaticamente em alguns modelos, como o Pixel.

Lembre-se: a opção de desativar estará sempre disponível em todos os casos.

Obsolescência programada?

Nas entrelinhas, a Apple mostra uma “ótima” sacada: além da obsolescência programada, ela acabou por adicionar mais uma fonte de recursos para seus negócios.

De tempos em tempos, os usuários agora serão forçados a trocar a bateria para a restauração da velocidade do aparelho. Não é muito difícil de imaginar que as pessoas vão culpar a bateria por seus  iPhones mais lentos.

Ou, em muitos casos – principalmente entre os usuários menos avançados – estes irão evitar todo esse trabalho e, sem dúvida, se desfazer dos aparelhos para a aquisição de novos modelos.

Embora a empresa esteja dando um “desconto” neste primeiro ano de troca de baterias, em nenhum momento a Apple voltou atrás na decisão.

Já na questão ecológica… esperamos que nosso planeta consiga sobreviver ao novo volume de lixo eletrônico que isso, infelizmente, vai estimular.

2 COMENTÁRIOS

  1. Amigo, o seu texto falha num ponto importante, que é a motivação dada pela Apple para diminuir a capacidade dos processadores.
    Ao contrário do colocado, a redução não serve para aumentar a vida da bateria, mas sim para evitar desligamentos repentinos do aparelho.

    Segundo a Apple, com a diminuição da vida útil a bateria não seria mais capaz de fornecer a tensão necessária de funcionamento requerida pelo aparelho em momentos de uso de pico, e isso poderia danificar alguns dos componentes eletrônicos do telefone. Para protegê-los o celular acaba se desligando.

    De fato a Apple poderia informar ao usuário que, para evitar isso, ela diminui a velocidade de processamento nesses momentos de pico ou, melhor ainda, colocar uma bateria melhor no aparelho que o mantenha funcionando sem problema por mais anos a partir da sua venda. Se telefones com Android não passam por esse problema os com iOS também deveriam ser “imunes”.

  2. acredito que a comparação com a industria automobilística não foi a mais correta pois existem carros super esportivos ou bem potentes em que existe a limitação de velocidade.

    exemplo….
    Após determinação do governo da Argentina, a Mercedes-Benz passou a limitar, já de fábrica, a velocidade dos modelos Sprinter produzidos no país. De acordo com a determinação do Ministério dos Transportes local, veículos comerciais como caminhões, coletivos e vans de transportes para passageiros devem respeitar os limites de 100 km/h, 90 km/h ou 60 km/h, dependo da via de circulação.

    A tecnologia já é um sucesso nos Estados Unidos, embora seja alvo de críticas por limitar a liberdade de escolha do usuário. A medida foi tomada pela Ford devido ao alto índice de acidentes de trânsito envolvendo motoristas jovens. Em 2012, alguns modelos da fabricante já estarão equipados com o MyKey.

    A maioria já deve ter percebido que grande parte dos modelos alemães estão limitados aos 250 km/h de velocidade máxima. E qual a razão disso? Não há legislação a respeito, e sim um acordo entre diversas marcas.

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