Google Fiber ou Google Telecom?

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Que a Google está fazendo uma rede de fibras óticas com velocidade de 1 GB não é segredo para ninguém. Ela já chegou aos lares de Kansas City, nos Estados de Kansas e Missouri. Está sendo feita em outras cidades destes Estados e também nos Estados do Texas e Utha.

Os compradores pagam USD$ 120,00 por mês e recebem, além do serviço de Internet, fornecimento de serviços de TV a cabo, DVR, 1 TB de espaço de armazenamento no Google Drive, WiFi e um tablet Nexus 7. Isto corresponde a cerca de R$ 270,00 por mês.

Definitivamente, este não é um serviço caro.

O que se pergunta é se este serviço será levado a todo o território dos Estados Unidos e que o que está por trás de um investimento nesta área.

No que tange à extensão da rede de fibra a todo o território americano, é importante lembrar que há uma grande concorrência na área de prestação de serviços de TV a cabo nos Estados Unidos, o que, se tomado como único motivo, não justificaria um investimento estimado em USD$ 11 bilhões, diluído em um período de 5 (cinco) anos, ou seja, USD$ 2,2 bilhões, por ano. É, sem sombra de dúvidas, um investimento muito elevado.

Mas a Google teria capacidade para fazer este investimento? Ele poderia vir a ser lucrativo para ela?

São questões que devem ser analisadas.

Para responder a estas perguntas, precisaremos retornar um questionamento anterior ainda não respondido. Afinal, o que está por trás desta rede?

Primeiramente, é importante lembrar que a Google consome 25% da rede de Internet dos Estados Unidos, o que corresponde ao tráfego combinado do Facebook, da Netflix e do Instagran. Isto deve custar muito caro à gigante das buscas, porque grande parte deste serviço é adquirido das empresas de telefonia e de TV a cabo. Não me pareceria ilógico acreditar que a empresa gaste cerca de USD$ 500 milhões por mês, ou USD$ 1,5 bilhão por trimestre, para cobrir estes custos, que são pagos a terceiros, muitas vezes concorrentes.

Devemos considerar que o tráfego de Internet vai crescer muito nos próximos anos, com a popularização da transmissão por meio de celulares de fotos, filmes, aplicativos e outros conteúdos. Todos eles, por si somente, consomem grande quantidade de banda. No entanto, devemos lembrar que a Internet está, aos poucos, absorvendo os serviços de TV. Exemplos disso são o Hulu e a Netflix. A própria Google fornece TV a cabo pelo Google Fiber e pretende fazer um serviço de TV pela Internet, para competir com as companhias tradicionais, além da Netflix.

Não fosse isso, novas tecnologias levarão ao aumento exponencial do consumo de banda, tais como os conteúdos em 3D, o Google Glass, os jogos pela Internet, a TV 4k, à qual  o Android já se aliou e, mais para frente, a Internet das coisas, a TV e a Internet holográficas, isto sem contar com a possibilidade de criação de novas formas de propaganda, via TV.

Tudo isso consumirá quantidades exorbitantes de banda larga.

Neste contexto, o melhor seria possuir a sua própria rede de fibras, de modo a suportar este tráfego e, no longo prazo reduzir a dependência da empresa do fornecimento de banda por parte de terceiros e também o custo destes serviços. Ao fazer isso, terá que fazer um investimento muito elevado, mas, por outro lado, dividirá com os próprios consumidores este custo, porque o amortizará ao longo dos anos, com a cobrança de novos serviços, que trafegarão pela rede.

Além disso, possuindo uma rede extensa, capilarizada e de grande potência, poderá a Google fornecer a terceiros o serviço de transmissão de dados, voz, imagem etc por meio desta rede, até mesmo para aquelas empresas, que hoje fornecem a elas.

Por final, poderá também usar esta rede, para criar sua própria empresa de telefonia móvel.

Tudo isso seria possível.

Mas, e o custo? Seria possível construir uma rede assim e obter lucro?

Primeiramente, vale dizer que, para uma empresa que possui USD$ 54 bilhões em caixa e que lucra mais de USD$ 1 bilhão por mês, pode sim fazer este investimento.

Considerando os serviços, que poderiam ser agregados, sem dúvida que este investimento de USD$ 11 bilhões, em 5 anos, poderia se tornar em mais um núcleo de negócios para a empresa com grande possibilidade de lucros.

Assim, estou convencido de que, se estendido este projeto para todo o território americano, ele não se tornará apenas numa rede de fibras óticas, mas em uma empresa de telecomunicações com grande poder de influência, até para fazer com que as concorrentes tradicionais forneçam produtos de melhor qualidade e a menor preço.

 

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