Estaria a Google preparando uma mega oferta no mercado de viagens?

A Google vendeu nesta semana o guia de viagens Frommer’s adquirida em agosto de 2012. Admito não ter soltado foguetes, mas também não ter lamentado. Antes, acho até que demorou demais a acontecer. Afinal, eu nunca havia conseguido ver integração da Frommer’s com a Google e, principalmente, este guia está muito defasado, para conseguir atender às necessidades de buscas verticais da gigante de Mountain View. Isto sem contar o fato de que do ponto de vista dos esforços de interação social, o novo foco da Google, o Frommer’s é uma nulidade.

Assim, já vai tarde.


O que me perguntei quando soube da notícia da revenda do guia para o antigo dono foi: qual seria a estratégia da Google neste campo?

Logo me veio o idéia: ela poderia estar se desfazendo de ativos pouco importantes na área, para liberar o terreno, de forma a que os órgãos reguladores da concorrência lhe permitam fazer uma grande compra no setor de viagens.

Mas, que empresa seria esta? Algumas seriam óbvias, como Expedia, Orbitz e Priceline (que, inclusive, recentemente, adquiriu a Kayak). Mas eu não apostaria em nenhuma delas, seja pelo valor de mercado elevado, seja pelo fato de serem OTAS (agências de turismo on-line), o que, provavelmente, provocaria vedação de aprovação regulatória logo de início, visto que a Google já é proprietária da fornecedora de software de controle de vôos ITA Software, cuja aprovação regulatória foi cercada de muitas restrições. Assim, qualquer aquisição na área, precisa ser feita com muito cuidado.

Eu acredito que, se uma grande proposta de compra vier a ser feita nesta área, o será em face da TripAdvisor. Tenho minhas razões:

a) seu preço de mercado é relativamente barato em relação às demais (USD$ 7 Bilhões), apesar de que uma eventual proposta de compra provavelmente ficaria em cerca de 30% mais caro;

b) é uma  e em crescimento ano a ano, que poderia ser ainda mais lucrativa com as sinergias possíveis com a integração com a Google;

c) mais de 1.500 empregados;

d) faz buscas verticais de viagens;

e) é também uma rede social dirigida a viajantes, o que a diferencia das outras OTAs;

f) você pode fazer login no TripAdvisor pelo Facebook, ou seja, tem acesso a grande parte das redes de relacionamentos da grande rede, o que não tem preço;

g) grandes sinergias com o Google Buscas, Google +, ITA Software, além de outros.

Apesar de todas estas vantagens, pode ser que a oferta não venha a ser feita, em virtude da grande probabilidade de a compra vir a ser barrada pelos órgãos de defesa da concorrência.

Esperemos para ver o que acontecerá nos próximos meses.

 

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