Empresas de internet assumiram o papel de árbitros da liberdade de expressão?

Uma matéria muito interessante do Washington Post, publicada nesta sexta-feira, questiona até que ponto as empresas de internet se transformaram em “juristas e defensores” das liberdades civis.

O caso mais recente, envolvendo um video sobre Maomé no YouTube, coloca uma luz sobre o assunto ao mostrar que o Google estaria assumindo questões complexas, que, tradicionalmente, são da competência dos tribunais, juízes e, ocasionalmente, de tratados internacionais.


“Observe que o Google tem mais poder sobre isso do que qualquer Egípcio ou o governo dos EUA”, disse Tim Wu, professor de direito da Columbia University. “O discurso atual sobre liberdade nada mais tem a ver com os governos e sim com as empresas.”

Para Andrew McLaughlin, ex-executivo de políticas públicas do Google e vice-presidente de tecnologia da Casa Branca da gestão Obama, as principais empresas de internet (Google, YouTube, Facebook e Twitter) agora desempenham um papel de atribuir liberdade de expressão ou mesmo censurar conteúdos.

Um funcionário do Google, falando em condição de anonimato, disse ao Washington Post que “lidar com conteúdo polêmico tem sido um dos maiores desafios que enfrentamos como uma empresa”.

Será que as empresas de internet estão realmente prontas para conseguir lidar com questões muito além de suas instalações e seus funcionários?

12 Replies to “Empresas de internet assumiram o papel de árbitros da liberdade de expressão?

  1. Óbvio que não !
     
    E se intrometer nesse campo é nada bom para “empresas”.
     
    Até porque a Liberdade de Expressão não isenta o autor de responder à própria opinião pública e depois ao Estado-juiz sobre seus atos e palavras.
     
    Por outro lado, o exercício do ‘poder cidadão’ deve ser prática comum as maiorias e não apenas a uns poucos punhados de gentes que ‘ousam’ emitir opinião.
     
    Também o Estado-legislador-juiz precisa diminuir a distância relativa entre sua práticas e o ponto/momento em que se encontram a Ética, Ciências e Tecnologias contemporâneas.

  2. Sou da opinião que as empresas não devem interferir na liberdade de expressão dos usuários.
    Se, por acaso, alguém se sentir ofendido com alguma postagem de outrem, que busque por si só seus direitos no Judiciário. 
    Logicamente, ninguém tem o direito de ofender outras pessoas publicamente. No entanto, a partir do momento em que se começa a censurar na origem, cala-se quem poderia fazer denúncias e prepara-se o terreno para que toda sorte de falcatruas não venham à tona.

  3. @psael @ReneFraga exato. Não é surpresa que o vice presidente de tecnologia da Casa Branca seja o diretor de politicas públicas do Google.

    1. @Gigantopitecus Como? Sorry? O vice presidente de tecnologia da Casa Branca é o diretor de politicas públicas do Google? O_o

      1. @LobaMuitoCruel zactamànt. Talvez seja esta a razão de a Casa Branca “solicitar” a remoção do conteúdo e V Majestade o Google dizer: nope!

        1. @LobaMuitoCruel eu tbém não rs.. mas não me surpreendo. Não que eu ache que não devesse ser, mas dá p pra ter uma ideia do porquê da postura

  4. Rolaram uns abaixo assinados contra o Facebook no site Avaaz, uma dessas petições contra a liberdade dos usuários se não me engano. Foi por um desses motivos que eu desativei minha conta do fb.

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