Aquisições: depois da Googlerola viria a HP – Google?

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Muito se comentou nesta semana sobre a gigantesca proposta de aquisição feita pela Google à divisão de equipamentos móveis da Motorola, no valor de USD$ 12,5 bilhões. É, de longe, a maior das aquisições já feitas pela Google e está ainda dependendo de aprovação das autoridades
reguladoras, tanto dos Estados Unidos, quanto da União Européia e dos demais países envolvidos, inclusive Brasil, se o CADE desejar entrar na briga, o que é improvável.

As primeiras impressões eram de que estaria a Google pagando uma verdadeira fortuna apenas para adquirir um portfólio de 14.600 patentes concedidas (já em gente falando que são, na verdade, 17.000) e outras 6.700 solicitações na área de comunicação móvel. Não podemos nos esquecer que foi o telefone celular foi inventado por um cientista da Motorola e a patente é dela. Para se ter uma idéia, no caso da Nortel, ela perdeu a concorrência para a compra de 6.000 patentes para um consórcio formado por Microsoft, Apple, EMC e Oracle, o que colocou o Android sob ataque. Se a Google conseguisse comprar a Interdigital, somente levaria cerca de 8.800 patentes.


Com esta compra, sem dúvida, a Google conseguiria proteger o Android das disputas por patentes. Afinal, o sistema operacional para celulares vem repondendo inúmeros processos por infrações a patentes da Apple, Microsoft, Nokia e outras. Com a compra de tantas patentes, além de se ver protegida, a Google poderá ganhar muito dinheiro no licenciamento delas para seus parceiros.

Depois, lembraram que a Motorola possui também patentes muito boas nos mercados de tecnologia para serviços destinados a empresas de telefonia e também para TV’s a cabo. Quanto a estas últimas, foi dito que poderiam turbinar a Google TV.

Posteriormente, vários analistas do mercado financeiro começaram a pensar no fato de que a Motorola possui uma grande fatia de mercado na fabricação de aparelhos celulares. Daí veio a pergunta: a Google manteria a produção de telefones celulares, mesmo concorrendo com seus parceiros da Open Handset Alliance? Alguns disseram que a nova Motorola Mobility deixaria de fabricar aparelhos celulares e outros, que a Google partiria para uma estratégia de verticalização, semelhante à da Apple, ou seja: produziria a sistema operacional e também o aparelho.

Nada disso ainda está claro agora e somente depois da aprovação da compra e da incorporação da Motorola Mobility e que será possível saber qual é a estratégia da Google para o setor. O certo é que qualquer que seja o caminho percorrido, a compra desta semana mostra um movimento muito caro e arriscado, que pode dar muito certo, mas também pode dar muito errado.

Mas você deve estar perguntando: o que a HP tem a ver com tudo isso?

A resposta é muito simples: se a estratégia da Google for a de verticalização, provavelmente ela desejará produzir não apenas telefones celulares, mas também computadores. Para tanto, precisará comprar uma produtora destes equipamentos.

Quanto à HP, esta anunciou nesta quinta-feira, 18/08/2011, que pretende se dividir em duas unidades, sendo a primeira uma de serviços de informática e de Internet e a segunda de produção de computadores e tablets. Esta reestruturação se destina a vender a divisão de computadores HP e Compaq.

Logo fiquei pensando: esta não seria um novo alvo de aquisição por parte da Google, visto que é lider mundial na produção de computadores, além de possuir um bom portfolio de patentes, tanto de computadores, quanto de equipamentos móveis, estes frutos da compra da Palm (Web OS)?

Está certo que a maior parte dos computadores vendidos pela HP usa sistema operacional Windows e isto não mudará tão cedo, por força da preferência dos consumidores. No entanto, não haveria aí uma oportunidade de ouro para a Google introduzir o uso do Android e do Google OS nos computadores pessoais, notebooks e tablets, além de seguir aos poucos para o processo de verticalização em todas as frentes, com já faz a Apple com muito sucesso.

Pensei então que, se esta for a estratégia, será preciso ver o preço. Hoje o Correio Braziliense publicou que a divisão de computadores da HP valerá cerca de USD$ 12 bilhões. Isto a Google tem em caixa, mesmo pagando a Motorola Mobility a vista.

No entanto, se a Google resolver entrar no páreo, acho que encontrará uma concorrente de peso: a nossa velha companheira Microsoft.

10 COMENTÁRIOS

  1. Não acho que o Google esteja mirando nessa verticalização e não vejo sentido no Google ir pra fabricação de hardware – seja celular ou computador -, não é a área deles, não é assim que eles ganham dinheiro.

    O valor de 12,5 bi paga apenas as patentes, o resto da divisão foi tipo um brinde – espera-se que ao menos não seja prejuízo. Esse artigo aqui mostra uma curiosidade interessante sobre o valor pago pela compra da Motorola (http://androidandme.com/2011/08/news/with-the-acquisition-of-motorola-google-shows-us-how-to-buy-patents-on-the-low/).

  2. Não faz nenhum sentido ao Google jogar dinheiro fora com negócios com margem de lucro reduzida, assim como a compra da Motorola vai trazer mais problemas que benefícios, logo o Google pode estar em dificuldades.

  3. Se comprar HP também aí começa a monopolizar demais as tecnologias.
    Aí fica perigoso.

  4. A Google não irá privilegiar a Motorola pq isso traria problemas. Eles não estão interessados com a venda de hardware, já que o lucro não é tão grande. O máximo que eu vejo a Google fazendo é influenciar a Motorola a parar de usar MotoBlur e ir só com (puro) Android. Fora isso eles já tem uma linha de hardware, Nexus. Mesmo não sendo eles os donos do hardware, o hardware e software são bem entegrados pela Google (e eles já falaram que a Motorola irá entrar na fila pra participar da linha Nexus junto com Samsung, HTC e LG)

    Em relação a HP, não vejo sentido a compra. Com HP continuando a suportar o webOS pode até ser um perigo. Mas com Android e Windows Phone, não vejo muito espaço pra outro sistema operacional licenciado.

  5. Na minha maneira de ver, a google pode estar investindo em nichos de negocios, atraves de aquisições como a da
    motorola. Mas recentemente, ideias como o buzz e o wave naufragaram, o orkut ficou "provinciano" e estagnado e
    a unica bola dentro da google tem sido o chrome, fabuloso.
    A google tem que entrar de cabeça no OS CHROME e a reboque, bater de frente com o MS OFFICE, e vitaminando
    o gdocs seria o caminho, mas como? Simples, o gdocs poderia possibilitar ao usuario a chance de usar de forma online
    a suite opensource libreoffice instalada no gdocs, caso o usuario quisesse algo com mais recursos ou até, impensável todavia em tempos de globalização imaginavel, uma parceria estratégica com a apple para o usuario
    gdocs usar o iworks online no gdocs.Dai, a questão é o egoismo da apple.
    Bem, problema do google.

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