Governo americano autoriza Google a comprar ITA Software com grandes restrições. E foi excelente para você, consumidor!

Depois de mais de 9 meses de investigação antitruste, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a Google a comprar a ITA Software, a maior provedora de serviços de pesquisa de passagens aéreas do mundo.

Com vínhamos acompanhando aqui, esta era uma compra importantíssima para a gigante das buscas, pois é uma incursão nas buscas verticais, estas tão fundamentais para o futuro da Google quanto as redes sociais. Acontece, que os concorrentes não gostaram nada do negócio e tentaram bloqueá-lo, inclusive criando uma associação chamada Fairsearch.org. Para tanto, abriram uma investigação de monopólio no Departamento de Justiça Norte-Americano.


Para se ter idéia da força desta associação, basta dizer que ela era encabeçada por gigantes como Microsoft-Bing, TripAdvisor, Travelcity, Kayak, Hotwire, Expedia, Sabre e outros. Ao que tudo indica, à Fairsearch.org somente interessava impedir a venda da ITA Software e, principalmente, de seu produto de comparação de passagens QPX.

Ontem, no entanto, o Departamento de Justiça decidiu ingressar com um processo antitruste contra a Google em uma Corte Federal no Distrito de Columbia, mas no mesmo processo, ofertou a seguinte proposta de acordo, ou seja, permitiu a compra, com as seguintes condições:

  1. a Google se obrigaria a continuar a desenvolver o QPX, pelo menos, nos mesmos níveis, que vinha fazendo a ITA Software;
  2. a Google será obrigada a fornecer os produtos ITA Software em valores “comercialmente razoáveis”;
  3. deverá fornecer o produto “InstaSearch”, que ainda não está pronto, mas em desenvolvimento, para outros sites de viagem;
  4. deverá permitir a colocação de “firewall”, de forma a impedir que a Google tenha acesso a dados não autorizados dos clientes ITA Software;
  5. a Google deverá ser proibida de contratar com empresas aéreas cláusulas, que restrinjam acesso comercial a outros sites de viagem;
  6. o DOJ também exigiu um mecanismo de verificação de formação de monopólio a qualquer tempo, o que configura um tipo de auditoria constante da empresa de forma a salvaguardar a formação de cartel; e
  7. este acordo teria duração por 5 anos (até 2016).

As condições são duríssimas, notadamente em um momento em que a Google vive cercada de acusação de formação de monopólios. No entanto, o tamanho da empresa, em si e sua influência no mundo das buscas na Internet já estão a exigir maiores cuidados das autoridades, sob pena de prejudicar a concorrência e, ao final aos próprios consumidores.

Assim, colocar freios à Google agora, já nos parecia inevitável e até saudável.

No entanto, impedir também a empresa de entrar no mercado de buscas de viagem, ou de qualquer outra busca vertical, seria pernicioso para os consumidores e para a própria inovação na indústria de Internet. Assim, a decisão do Governo Americano foi bastante equilibrada.

O que se esperavam eram reações raivosas, de um lado, da Fairsearch.org (que queria o impedimento da compra) e, de outro, da Google, que queria a compra sem restrições.

A primeira festejou como sendo uma vitória dos consumidores, o que é verdade. Afinal, ela não poderia admitir que sofreu uma derrota flagorosa.

O que nos espantou foi a rápida resposta da Google e da própria ITA Software, que se apressaram em dizer que procurarão, no menor prazo possível, fechar o acordo. Ainda poderá haver alguma pedra no caminho, mas o tom adotado por ambas as empresas indica que ficaram satisfeitas com o desfecho do processo antitruste e não querem brigar na Justiça. Nesta semana veremos se é isto mesmo, mas parece que não deverão haver surpresas.

Um ponto, que deverá ser lembrado, é que este acordo poderá ser a base de novos processos na compra de grandes empresas no ramo de buscas verticais. Em outras palavras, a Google poderá usar o modelo deste acordo para servir de base para outros acordos, quando tentar comprar outras grandes empresas de busca em outras áreas específicas.

Neste sentido, quem sabe não poderíamos ver nos próximos meses, novas conversas para a compra de empresas como Groupon, Twitter, Monster, WebMD, Trulia, Yelp e outros, ou seus respectivos concorrentes.

 

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