A Google voltará à China. Pode esperar.

Depois que o serviço chinês continental da Google foi invadido por piratas da Internet, segundo ela mesma, a mando do próprio governo, daquele país, ela se viu obrigada a tomar uma medida arriscada: se recusar a permitir a censura prévia das buscas e direcionar seus usuários para o seu serviço de Hong Kong (www.google.com.hk). Dizem alguns que a empresa somente fez isso porque sofrera um ataque por meio de máquinas com sistema operacional MS Windows e que seus clientes nos Estados Unidos ficaram com medo de terem seus dados violados.

Desde então, está contratando muitos engenheiros especialistas em Mac OS X e Linux, aparentemente, para substituir os usuários destas máquinas com MS Windows.


Há alguns dias, o Governo de Pequim informou que as empresas de Internet terão que renovar uma licença, sem a qual não poderão continuar a operar no país e isto, obviamente, inclui se submeterem à censura. A Google disse que está em conversações com os governantes.

Eu não tenho dúvidas de que a Google, mesmo não sendo líder na China e, provavelmente, até tendo prejuízos com aquela operação, não pode desprezar o tamanho daquele mercado, que, em número de usuários, é, de longe, o maior do planeta, apesar do que demorará a ser o maior em termos de faturamento.

É por este motivo que estou convencido de que a Google se submeterá às regras chinesas.

Ademais, engana-se quem acredita que a Internet será vetor para a queda da ditadura naquele país. Afinal, o que faz cair governos totalitários é o bolso da classe média. E em um país que cresce a taxas médias de 10% ao ano, não sou ingênuo de acreditar que os ditadores perderão seu poder tão cedo. Acredito que isto somente ocorrerá quando os efeitos do rígido programa de controle de natalidade estourar naquele país a bomba populacional, que já está armada, ou seja, quando tiver muitos idosos necessitados de previdência, poucos jovens e adultos em idade de trabalho e quase nenhuma criança para repor a pirâmide. Isto gerará uma gigantesca crise econômica e derrubará a ditadura, mas demorará no mínimo 20 anos para acontecer.

Outro sinal de que a Google voltará à China é a notícia de que ela fez hoje um investimento em um site de músicas legais www.top100.cn em sociedade com o atleta Yao Ming em valor não revelado.

Afinal, quem quer sair, não investe em empresas potencialmente parceiras.

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