“Vender” o Brasil via Google Earth. Uma idéia para o Governo. Maluquice? De forma alguma!

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Google Earth logoA economia mundial vive um tempo de globalização das relações econômicas. Nestes novos tempos, é preciso que os países criem mecanismos para que seus agentes econômicos possam competir em pé de igualdade com os agentes econômicos de outros países. Para tanto, é preciso vendermos o Brasil. E quando falamos em vender, o fazemos no sentido da fazer publicidade e dar mecanismos facilitação de vendas, como fazem os países mais desenvolvidos.

Para tanto, hoje há uma plataforma de massa extremamente barata e eficiente, que poderia ser usada pelo Governo federal, em parceria com os Estaduais e Municipais e com a iniciativa privada, para mostrar o Brasil para o mundo e, com isso, atrair turistas e vender produtos e serviços.

A Google tem aplicativos e API’s para tudo, mas eles estão espalhadas e isto torna difícil a ordenação das informações necessárias à venda do Brasil. Portanto, sugerimos que os Ministérios do Turismo e da Industria e do Comércio construam uma plataforma destinada a sistematizar e integrar os dados e permitir que toda a Administração possa, com facilidade, colocar, em um único lugar, os dados de todo o Brasil na Internet. Feita esta plataforma, poderiam fazer convênios com Prefeituras e Estados (inclusive com financiamentos para cobrir custos, se necessário), para que todas as informações sejam colocadas em pouco tempo. Em uma terceira etapa, poderiam contratar os departamentos de tecnologia da informação e de arquitetura e urbanismo das universidades federais para construírem todas as cidades e acidentes geográficos brasileiros em formato 3D no Google Earth.

Vejam apenas algumas sugestões de funcionalidades:

  1. georeferenciamento de fotos (Panoramio) e filmes (YouTube) profissionais de pontos turísticos e eventos culturais e esportivos (todas as cidades brasileira seriam convidadas a promover todos os seus pontos turísticos e eventos);
  2. todas as fotos e filmes promocionais deverão ter legendas em português, inglês, espanhol, francês, japonês, italiano e mandarim;
  3. todos os governos deverão ser incentivados a criar artigos para todas as cidades e para todos os pontos turísticos e eventos históricos, tanto em português, quanto nos idiomas acima relacionados, georeferenciados aos locais nas cidades e ligados às fotografias Panoramio e aos filmes YouTube;
  4. centro de importação de dados de órgãos governamentais como IBGE, IPEA, EMBRATUR, Previdência Social, Ministério da Saúde, BACEN, Ministério da Indústria e Comércio, Ministério da Cultura etc, além de espaço para órgãos estaduais, distritais e municipais e geração de mapas interativos 3D com estes dados;
  5. centro de importação de dados de transportes públicos (ônibus urbanos, intermunicipais, interestaduais e intermunicipais, metrôs e trens metropolitanos, destinados a alimentar automaticamente o Google Transit;
  6. centro de importação de dados sobre serviços de taxi, hotéis, aluguéis de automóveis, operadoras de turismo, restaurantes, centros de lazer e compras e afins (com possibilidade de exposição de fotos, filmes, mostruários eletrônicos, menus etc, além de integração com o serviço Google Checkout, que ainda não serve ao Brasil, mas que, com uma conversa do Governo com a Google, certamente passaria a atender);
  7. a iniciativa privada, a começar das operadoras de turismo, passando pelos hotéis, restaurantes e demais serviços ao turista de todas as cidades deveriam ser incentivados a colocar dados, fotografias, preços de serviços, filmes e, se desejarem, até propagandas, nesta plataforma, para atraírem viajantes de todo o mundo;
  8. os demais segmentos da iniciativa privada poderiam ter ao seu dispor um centro de importação de dados para o Google Base e para o Google Product Search, onde eles poderiam informar ao mundo seus produtos à venda, a um custo baixo, mediante o simples preenchimento de uma planilha de produtos e preços e sua disponibilização nos bancos de dados destes dois serviços;
  9. o agronegócio, a indústria, os serviços e as ONGs deveriam ser incentivados a colocar nesta plataforma fotografias, filmes, artigos Wikipedia e links para as cotações em bolsa de valores (Google Finance) de suas atividades, para mostrar a todos a força de nossa economia. Seria muito bom, por exemplo, ver, a partir destas informações, jovens brasileiros sendo contratados para construir programas de computador para empresas do mundo industrializado, mas trabalhando via Internet, o que é um sonho plenamente possível;
  10. o Ministério de Cultura poderia filmar e fotografar todas as manifestações culturais do Brasil, com geoposicionamento e artigos adicionais na Wikipedia, de forma a incentivar o turismo; e
  11. artistas de todos os ramos, poderiam ser incentivados a colocar clips na Internet, com livre cópia, sem a cobrança de direitos autorais, georeferenciando-os e disponibilizando agendas eletrônicas de apresentações e links para a venda de cds e músicas em lojas de vendas de música virtual.

Estas seriam apenas algumas idéias. Muitas poderiam ser dadas por vocês leitores ou no próprio processo de desenvolvimento do sistema.


Sei que este parece ser um trabalho muito grande, mas não é realmente. A tarefa complexa seria apenas a de conceber a plataforma única de integração, porque exigiria buscar idéias aptas a captar a maior quantidade de informações públicas sobre o Brasil, de forma a realmente permitir a comercialização do produto chamado Brasil. Passada esta fase de concepção, tudo seria mais fácil. A própria construção da plataforma seria muito fácil porque usaria muitos códigos liberados pela Google para uso livre, o que reduziria tempo e custos. Ademais, em se fazendo uma plataforma de fácil uso, a alimentação dos dados seria feita pelos próprios órgãos do Governo Federal, pelos 26 Estados, pelo Distrito Federal, por cada um dos cerca de 5.500 municípios e das milhares de empresas e ONGs, em um prazo, que seria muito pequeno e a um custo muito pequeno, diante da magnitude do projeto.

19 COMENTÁRIOS

  1. Perfeito Romulo!!! Perfeito!!!

    Eu tento colocar na cabeça do pessoal da prefeitura aqui de Goiânia algumas dessas ideias (gTransit, gEarth 3d…) mas nunca me deram ouvidos… Agora tenho mais um argumento pra usar com eles… ;)

    Se surgisse um “movimento” pra cobrar isso da administração publica eu acredito que surtiria efeito…

  2. A idéia é excelente. Mas não vai acontecer nunca.

    Por que ? Incompetência do Lula ? Não. Incompatibilidade entre os sistemas do governo mesmo.

    Vou dar um exemplo prático: o MEC organiza todos os anos o Censo Escolar. Com as estatísticas do Censo o MEC distribui os recursos do Governo Federal para as escolas.

    O Censo engloba tudo: número de alunos, faixa etárias, dependências da escola, qualificação dos professores. No estado de SP todas essas informações estão disponíveis em sistemas do governo estadual, que os usam para fins estatísticos e também de distribuição de recursos.

    Mas, na hora de preencher o censo escolar federal, até pouco tempo atrás era necessário DIGITAR TUDO DE NOVO.

    Foram necessários vários anos e muitas reclamações das escolas em ter que fazer todo esse retrabalho para que o cadastro de alunos e de dependências das escolas fosse “migrado” dos sistemas estaduais para o censo. Já o cadastro de professores não foi migrado ainda. Os dados estão todos lá, na folha de pagamento, mas é necessário digitar tudo de novo, simplesmente porque os sistemas são incompatíveis.

    Isso é só um exemplo. Já imaginou migrar dados de milhares de prefeituras ? Algumas nem vão ter os dados…e se o sistema do Ministério do Turismo for incompatível com os outros ? Seria necessário um exército de programadores, técnicos e analistas para dar um jeito na situação…e será que algum deles estaria disposto a ir até Piraporinha do Norte para ensinar o pessoal da Prefeitura a migrar os dados do Access (se eles usarem Access) para o sistema ?

    Há mais coisas no Serviço Público do que supõe a nossa vã filosofia, meu caro…

  3. Rômulo, realmente isto é o mínimo que poderia ser feito com tantos recursos e informação que temos hoje.

    Concordo em partes com o Henderson, pois no Brasil, no que se diz respeito à Tecnologia aplicada no Governo, vivemos claramente uma desgraça. Eu trabalhei em uma instituição pública aqui no interior do estado de São Paulo e vivenciei o problema de sistemas que não suprem as necessidades e muito, mas muito retrabalho. Só não vi os caras esculpindo informação na pedra, porque o resto eu vi de tudo.

    Acho que isso é possível sim, porém dependeria de um grupo de pessoas com esta visão, em cada cidade, com o interesse de viabilizar este projeto. Correr atrás de patrocionio de de apoio para colocar isso em prática.

    Eu creio que isto é possível porém como disse, deve ser uma ação conjunta. Temos que explorar mais o conceito de comunidades, Grupos de pessoas que irão se esforçar para um determinado objetivo “ABRIR A CABEÇA DOS EMPRESÁRIOS, GOVERNADORES, COMERCIANTES, ARTISTAS, PREFEITOS, SENADORES, quanto a questão de unificação de informação.

    Vejo as pessoas gastando dinheiro em resolver um problema isolado, projetado por alguém que nem consegue prever a necessidade de integração entre os sistemas.
    Isso é falta de cultura e escasses no quesito conhecimento tecnológico.
    Talvez palestrar sobre o assunto em várias cidades ao mesmo tempo surtiria algum efeito.

    Bom, o assunto é amplo, se precisar de aliados, conte comigo.

    Ótimo post. abraço!

  4. Henderson,
    Muito obrigado pelo comentário.
    Eu conheço bem esta realidade. Conheço muito mais do que você pode imaginar. No entanto, eu sou um otimista e acredito que as coisas podem melhorar. Além do mais, as plataformas da Google são abertas e, por isso mesmo, facilitam quando temos estas realides tão díspares. De qualquer forma, não devemos esperar colocar todos os dados de uma vez. É preciso darmos um passo atrás de outro. Assim, um dia, chegaremos até Piraporinha do Norte. Estou certo disso.
    Abraços,
    Rômulo

  5. Ednei,
    Muito obrigado por seu comentário.
    Se você acredita nesta proposta, chame seus amigos, por meio de correio eletrônico ou redes sociais, para cobrarem dos prefeitos, vereadores, deputados estaduais, distritais e federais, senadores, governadores e presidente da república uma ação coordenada neste sentido. Uma grande ação na Internet (via Orkut, Facebook e MySpace) pode fazer a diferença.
    Abraços,
    Rômulo

  6. Uma coisa que está acessível a qualquer prefeitura (na verdade a qualquer cidadão) seria a Wikipedia. A maior parte das páginas de cidades do Brasil na enciclopédia são sofríveis e não passam dos dados básicos…eu percebi isso quando resolvi “dar uma geral” na página da minha cidade…

  7. Os dados publicos tem que estar acessiveis gratuitamente a todas pessoas, inclusive ao Google. Por exemplo, os dados de trafego da California, os mesmos usados pelo Google maps para estimar tempos de viagem, estao gratis em pems.eecs.berkeley.edu, um projeto feito em parceria entre o Estado, uma universidade, e uma empresa privada.

    Da mesma maneira, para o governo brasileiro, a solucao para e-governance e simples: estabelecer parcerias com empresas brasileiras para disponibilizar os dados do nosso pais. E algo factivel. Existem pessoas com este know-how (o site acima envolveu alguns brasileiros).

    Acho que a Google, como empresa privada pode ate ter um papel, mas ela nao e a salvacao da lavoura de um pais. E uma empresa privada, e como tal responde primeiro aos seus acionistas. A administracao publica, responde primeiro aos cidadaos do seu pais.

    Por exemplo, porque o governo tem que negociar com o Google “Checkout”? Isto nao faz muito snetido. Ou se abre uma politica de que voce pode receber o billing fora do pais, e ai vale para todos, Pay Pal, Yahoo, etc, ou nao… Favoritismo para uma corporacao contra as restantes, nunca da certo.

  8. excelente,
    mas… tudo tem um mas….
    ações como essas não permitem o desvio de verba para o “partido”, logo não há interesse dos governantes

    se começarmos agora, talvez daqui umas 3 gerações isso mude, mas não se iludam, nunca menos que 2 gerações

    é uma pena

  9. Parabens.
    As boas idéias são como sementes. Se bem cultivadas, elas germinam. Aja vista, algumas sementes de tâmara, de cerca de 2000 anos, encontradas recentemente, parece que no Egito, foram tratadas, plantadas e germinaram. Sem querer desanimar pela idade das sementes, mas as coisas funcionam é assim mesmo. BOAS IDEIAS, perseverança e trabalho e mais trabalho…

  10. Romulo,
    Eu mesmo já contribuir muito para isso com muitas imagens no “Panoramio” e diversos modelos em 3D no “Warehouse”. Mesmo assim autoridade nenhuma me procura, devem imaginar que é desperdício de verba pública, vender imagem de sua cidade pela internet.
    Isso não me desanima continuo firme e me divertindo com o que faço.
    Abç.

    Eloi Raiol

  11. Tenho um invento de criptografia que transforma um livro de 100 paginas em uma imagem bitmap, uma vez gerada somente o meu software pode traduzi-la………………..

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