Por que a Google não pode adquirir a Yahoo? Por que a Microsoft precisa adquirir a Yahoo?

Microsoft + Yahoo! - União contra Google - Logo

Quando a Google era uma empresa ainda emergente Terry Semel, então CEO da Yahoo! teria oferecido USD$ 3 Bilhões pela Google, mas o negócio não teria sido fechado, porque Page e Brin teriam pedido USD$ 5 Bilhões. Mesmo assim a Google continuou a prestar serviços de buscas para a Yahoo!, que se manteve focada no mercado de portais. Poucas vezes uma decisão foi tão perniciosa para uma empresa e para toda a concorrência em um setor da indústria. Afinal, ela permitiu que a Google se tornasse a todo poderosa corporação, que é hoje, virtualmente, sem concorrência no campo das buscas de Internet.


Muito se especula sobre a necessidade da Yahoo! se unir à Google, para se manter no mercado. Eu afirmo com segurança: isto não poderia ser permitido pelos órgãos de controle da concorrência e, certamente, não o seria, principalmente pelos órgãos europeus. Por esta razão é que tudo não tem passado de especulações.

Não tenham dúvidas de que a Yahoo! agregaria muito valor à Google. Senão, vejamos:

  1. a Yahoo! tem 11.000 empregados e a Google precisa desesperadamente de profissionais, para poder crescer;
  2. o Yahoo! Search é tão bom quanto o Google Search e seus algoritmos poderiam ser agregados ao da Google;
  3. o Answers é um sucesso, que poderia ser aproveitado pela Google;
  4. todos os serviços de portais da Yahoo! agregariam muito valor à Google;
  5. a carteira de clientes do Yahoo! Mail é extremamente valiosa; etc.

Não vou listar aqui todos os possíveis benefícios para a Google de uma eventual união com a Yahoo!, porque seria muito enfadonho. O que importa aqui é que esta hipotética união acarretaria uma indesejável porque perniciosa condição de competidor monopolista em favor da Google, em prejuízo, não apenas dos anunciantes, mas também e, principalmente, de nós consumidores. Para chegarmos a estas conclusões basta olharmos os números:

MERCADO NORTE AMERICANO DE BUSCAS PELA INTERNET

DEZEMBRO DE 2007

Google

47,3%

Yahoo!

18,5%

Microsoft

10,5%

Ask

5,4%

Time Warner

4,9%

MERCADO MUNDIAL DE BUSCAS PELA INTERNET

OUTUBRO DE 2007

Google

58,5%

Yahoo!

22,9%

Microsoft

9,7%

Ask

4,7%

Time Warner

4,2%

Assim, basta darmos uma breve passada de olhos nos números para vermos que uma eventual união de Google com Yahoo! provocaria, de imediato, um acréscimo na participação da Google no mercado norte-americano de 47,3% para 75,8% e no mercado mundial, de 58,5%, para 81,4%, em prejuízo de uma concorrência, cujo segundo lugar, ocupado pela Microsoft, ficaria na casa de 10%.

Não custa nada lembrar que este aumento repentino viria acompanhado das respectivas verbas publicitárias, do aumento do poder de barganha com os publicitários e com o inevitável desrespeito ao consumidor. Em outras palavras, a Google, por força de sua posição no mercado passaria, naturalmente, a ser evil.

E você quer isso?

Acho que nem mesmo eles querem isso.

Por outro lado, vejo como inadiável a compra da Yahoo! pela Microsoft.

Vários seriam os benefícios para ambas as empresas, para o mercado e para os consumidores. Tentarei discorrer sobre alguns.

Primeiramente, salta aos olhos que ambas empresas unidas criariam musculatura suficiente para brigar com mais força no mercado de buscas (fatia combinada de 39%, contra 47,3% da Google, no mercado norte-americano e participação combinada de 32,6%, contra 58,6% da Google, no mercado mundial). Este acirramento da disputa seria muito bom para a concorrência e também para os consumidores, porque obrigaria a Google a manter a sua velocidade de inovação. Vale lembrar que, a continuar o caminho atual, com a Google mordendo, cada vez mais o mercado de suas concorrentes, logo ela não terá mais motivação para criar novidades para os consumidores. Foi exatamente o que aconteceu com a Microsoft nos mercados de sistemas operacionais, produtividade e, principalmente, navegadores. Não interessa a nenhum consumidor assistir a este filme de qualidade discutível, cujo final já conhecemos.

Vale lembrar que esta negociação precisa ser feita antes que a Google se una definitivamente à DoubleClick, quando, então, poderá ser muito tarde. Esta decisão deverá acontecer até o final de março de 2008, quando a Comunidade Européia dará a palavra final. Eles são mais rigorosos que os americanos, mas não há sinais evidentes de que vetarão a compra.

Além deste fator principal, temos os seguintes serviços Yahoo!, que poderiam agregar muito valor à Microsoft:

  1. search;
  2. vídeo;
  3. shopping;
  4. answers;
  5. autos;
  6. finance;
  7. games;
  8. groups;
  9. hotjobs;
  10. mobile web;
  11. movies;
  12. travel;
  13. yellow pages;
  14. web mail;
  15. messenger;
  16. maps etc.

A integração das plataformas seria complexa e ambas teriam que cuidar para evitar manter o pensamento de que os portais é que são a grande fonte de publicidade na web, mas ambas as empresas têm mais em comum que a Google e a Yahoo!.

E não se diga que a Microsoft não poderia compara a Yahoo! porque ela sim é monopolista. Em verdade, este argumento é enganoso, porque ela domina os mercados de navegadores, sistemas operacionais e aplicativos de produtividade, mas perde feio no mercado de buscas na Internet. Assim, não haveria qualquer incompatibilidade nesta aquisição.

No mercado norte-americano já se fala abertamente na possibilidade de esta união ocorrer nos próximos meses.

Aqui no Brasil, uma fonte ligada a uma das empresas envolvidas na união confirmou ao Renê Fraga, editor deste blog, que as negociações estão bem evoluídas e o resultado poderá ser apresentado em pouco tempo.

Fiquemos atentos.

Ah! Se o negócio com a Yahoo! não der certo, vale lembrar que a Ask está aí e é muito competente. Ouviu, Microsoft?

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