Afinal, teremos ou não teremos um gPhone?

GPhone

Um só não. Vários. Talvez, muitos modelos de gPhone.


Você pode me perguntar: como teremos vários, talvez muitos modelos de gPhone, se o próprio site oficial da Google negou estar anunciando o gPhone?

A resposta é simples e pode ser respondida com a simples leitura mais atenta do comunicado de Andy Rubin, o “pai” da plataforma Android, o que foi apresentado à grande mídia e aos investidores internacionais. Esta plataforma, cuja demonstração já era esperada por todos, é um sistema operacional para celulares baseado em Linux, além de aplicativos, interfaces de usuário e também um navegador próprio (eu esperava que usassem o Firefox Mobile).

Até aí, nenhuma novidade.

A Google apresentou também a Open Handset Alliance, na prática um grupo de parceiro, que compartilharão a plataforma Android e poderão, por meio de uma licença open source, desenvolver seus próprios aplicativos para a telefonia celular. Fica difícil não fazer um paralelo com o OpenSocial e houve até quem perguntasse a Eric Schmidt, se haveria uma sobreposição ou integração entre estas plataforma, mas eles fugiram a uma resposta direta.

Aqui, surgiu a primeira surpresa do dia. Não pela existência em si da aliança, porque já há vários dias se sabia que a Google estava conversando com fabricantes de aparelhos e com companhias telefônicas. A surpresa foi sim pela quantidade e diversidade regional de empresas associadas, o que mostra que a estratégia Android (eu ainda prefiro gPhone), já nasceu forte. Sabia-se, por exemplo, que a HTC era presença certa e que a LG corria por fora. Não se falava, por exemplo, pelo menos constantemente, na Samsumg. Sabia-se que a Sprint estaria, com certeza e que a China Telecom, por ser associada à Google na China, poderia entrar, mas não se falava, por exemplo, na Telefônica ou na Telecom Italia, o que, para nós brasileiros, diga-se de passagem, é uma boa notícia, porque, provavelmente, teríamos Androids/gPhones vendidos pela Vivo (Telefonica) e pela TIM (Telecom Italia).

Outra surpresa, pelo menos para mim, foi que a gama de empresas de telefonia associadas abrange quase todos os continentes (inclusive África). Somente não encontrei, mas pode haver operadora da Oceania. Vale lembrar que a África é muito importante nesta estratégia e ainda pretendo escrever um post especial sobre a Web no continente de onde todos viemos.

Outra surpresa do dia e esta bastante intrigante, foi a presença da eBay na aliança. É sabido que ela é proprietária do Skype (que, aliás, anda com problemas de pouco faturamento). O Skype lançou um celular com botão para o Skype. Será que haveria um modelo de gPhone com o botão Skype, para usarmos como telefone IP? Não seria má idéia, seria?

A grande surpresa do dia (e talvez o anticlímax) foi o fato de que nenhum aparelho celular com o Android embutido foi apresentado e estavam todos babando para ver.

Mas isto é motivo para crermos que não haverá um gPhone?

Estou cada vez mais convencido de que não. Afinal, a Google não é uma empresa especializada em vender hardware (como a Apple) e, curiosamente, nem software, como a Microsoft, mas essencialmente uma empresa de mídia. Está cada vez mais claro que o foco dela não é vender os aparelhos e, espantem-se, nem mesmo o Android, mas a publicidade, que veiculará pelos aparelhos celulares com o Android embutido.

E é isto que pouca gente está vendo. A estratégia da Google para a telefonia celular e, particularmente, o Android é muito mais que um simples sistema operacional. Em verdade, pretende ser uma verdadeira ruptura no mercado de telefonia celular de todo o mundo.

Siga o meu raciocínio: toda a telefonia celular no mundo é baseada em empresas fornecedoras de serviços de telefonia, que vendem aparelhos (geralmente bloqueados), com softwares de código fechado e recebem pelo serviço prestado. A Google está caminhando para, com a estratégia Android (ainda não me esqueço do gPhone), fazer com que as empresas de telefonia forneçam smartphones com sistemas de código aberto e aplicativos de ampla pesquisa a produtos Google, talvez até sendo obrigadas a desbloquear os aparelhos. Dentro desta estratégia poderá estar embutida a idéia de remuneração dos serviços da operadora de telefonia, no todo ou em parte, pela publicidade gerada nas pesquisas feitas. Esta parte ainda não está totalmente aberta aos consumidores e à grande imprensa, mas parece se afigurar em um futuro de médio prazo.

É por isso que o anúncio feito hoje é muito mais importante do que desejou parecer e somente deixou transparecer nas entrelinhas.

Havendo vários fabricantes de smartphones associados (HTC, LG, Samsumg e Motorola), certamente todos terão seus gPhones, cada um com seu hardware próprio, mas com um conjunto de softwares comuns, porque concorrentes-parceiros.

Por isso, eu afirmo sem medo: haverá vários gPhones.

Mas, pergunta-se: haverá um gPhone, que tenha esta marca ou a marca Google?

Há algumas versões para esta resposta. O IDG Now publicou que Eric Schmidt não teria descartado esta possibilidade, mas também não a confirmado. Já a Forbes sugere ao contrário.

Nada disso, entretanto, é importante, se para a Apple o que importava no iPhone era o próprio aparelho em si, para a Google, o que importa é o Android dentro do aparelho. Assim, todo aparelho celular com o Android como sistema operacional, tendo ou não a marca gPhone, será um gPhone, porque terá a sua essência.

Leia também: Direto de Wall Street: o gPhone poderá ser revelado nesta segunda-feira

2 Replies to “Afinal, teremos ou não teremos um gPhone?

  1. Esses caras do Google são simplesmente gênios!
    E o melhor: nunca saem do que sabem fazer.

    A Google é simplesmente a empresa mais invejada por qualquer empresa de publicidade online ou não. Não é uma Microsoft que vai fazendo e comprando empresas para ficar “parecido” com seus concorrentes, o ganha pão do Google é a publicidade e sempre vai ser, e ela simplesmente usa seus produtos pra elevar isso. É simples, e funciona!

    O mais divertido é ver todas essas empresas entrando em tudo que é mercado…
    Daqui a pouco sai uma geladeira da Microsoft, um carro da Apple, um avião do google, ops, esse último já tem!

    Tomare que a idéia do Linux invada meu plano de saúde porque tá muito caro…

  2. Na minha opinião o Google está perdendo um mercado pronto e com público alvo. Ao mesmo tempo, a empresa deve ter analisado que a criação do aparelho poderia criar um problema de concorrência e atrapalhar os planos da plataforma Android.

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