E se o Brasil Seguisse o Exemplo da Google Org?

 Google Painel Solar

O Brasil é um exemplo mundial em se tratando de consumo racional de combustíveis. Compete com os Estados Unidos pelo primeiro lugar na produção de etanol e é o segundo na produção de biodíesel. Já adiciona 25% de etanol à gasolina e está iniciando a adição de 2% de biodíesel ao díesel. Nosso etanol é o economicamente mais eficiente do mundo e temos possibilidade de nos transformarmos em 20 anos na Arábia Saudita do etanol, tanto produzido pela garapa, quanto pela celulose derivada dos restos da agricultura. Por fim, cerca de 70% de nossa frota sai de fábrica com motores flex, que, diga-se, já são vendidos na França, como diferencial ambiental, mesmo eles estando apenas iniciando o processo de adição de etanol à gasolina.


Apesar de tudo isso, ainda vivemos o fantasma do apagão elétrico, já em 2010 ou 2011.

Para resolver o problema, o governo quer construir as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira e Belo Monte, no Rio Xingu. Entretanto, encontra grandes problemas ambientais e corre o perigo de não conseguir construir nenhuma delas. Por isso, ameaça construir várias usinas atômicas.

Mas está é a solução?

Tomemos o exemplo da Google Org. Ela conseguiu construir uma usina limpa a energia solar, num espaço de 18.580 m2, aproveitando tetos de edifícios e cobrindo estacionamentos, com capacidade total de geração de 1,6 KlWat.

Se construídas, as hidrelétricas e a atômica de Angra III terão as seguintes capacidades e custos:

USINA CAPACIDADE CUSTO m² NECESSÁRIOS À CONSTRUÇÃO DE UMA USINA SOLAR COM CAPACIDADE CORRESPONDENTE
Santo Antônio 3.168 MegaWats USD$ 7,26 Bilhões 36.788.400 m² = 37.700 Km²
Jirau 3.326 MegaWats USD$ 7,51 Bilhões 38.623.175 m² = 38.600 Km²
Belo Monte 11.181 MegaWats USD$ 11,00 Bilhões 129.839.326 m² = 129.800 Km²
Angra III 1.359 MegaWats USD$ 8,5 Bilhões 15.096 m² = 15 Km²
Total 19034 MagaWats USD$ 34,27 Bilhões 206.155 Km²

A construção destas quatro usinas representariam, portanto, em células fotovoltaicas, uma área equivalente aos territórios dos Estados do Parana e do Sergipe juntos.

É muito? Sem dúvida!

Entretanto, não precisamos pensar em substituir toda a nossa matriz energética por eletricidade fotovoltaica. Além do mais, as placas poderiam servir para o revestimento de coberturas e fachadas de edifícios comerciais, industriais e residenciais em centros urbanos de todos os tamanhos, o que multiplicaria em muito a área de colheita da irradiação solar. Além disso, não haveria necessidade de construção de redes de transmissão, os conhecidos e caros “linhões”.

Para se ter uma idéia do poder deste modal energético, a WalMart, nos EUA, já em 2008, somente consumirá energia solar.

O governo brasileiro poderia incentivar com isenção total de impostos a construção de uma indústria de placas solares em território nacional e permitir que os consumidores domésticos produzissem energia e vendessem no todo e em parte para as empresas de energia. Mais que isso, poderia financiar todos os interessados via BNDES e ainda captar grandes somas de capital, seja com créditos do Protocolo de Kyoto, seja por meio de captação em bolsa de valores através da abertura do negócio de produção de energia solar a investidores nacionais e internacionais.

Estou certo de que esta não seria uma panacéia, mas poderia nos ajudar a evitar um apagão em breve. Além do mais, duvido que encontraria resistências do Ministério do Meio Ambiente e dos ambientalistas.

9 Replies to “E se o Brasil Seguisse o Exemplo da Google Org?

  1. vamos todos votar “Rômulo Mendes para presidente”!!!
    realmente e uma boa ideia… com isenção total de impostos entao… ate eu vou fazer.. hehe
    abraço

  2. Muito boa a ideia.
    E tão fácil, inclusive mais fácil do que enfrentar uma longa discussão sobe meio ambiente.
    Além de evitar o tão presente efeito estufa (não, não é coisa de futuro, tenho certeza que você sente ele no presente.).
    O Governo também não incentiva nada que preste, por exemplo a camisinha é tributada a icms normal, sendo que se a camisinha fosse ainda mais barata tornaria-se de mais fácil acessoa a todas, principalmente nos estados nordestinos, poderia-se ter um controle de natalidade, poderia se ter menos gastos com coqueteis para AIDS.
    Esse governo (não o atual, o governo de sempre, pois sai presidente, entra presidente.)
    E o povo é quem se ferra.
    pra num dizer se f*de.

  3. Coincidentemente hoje saiu uma nota no jornal de SP que todos os prédios novos na capital paulista são abrigados devido a uma Lei municipal a ter equipamento de energia solar para aquecer no mínimo 40% da água de consomem. Muito legal isso.

  4. Cara, gostei da idéia principal, apesar de achar muito distante do possível.

    Mas também não pude deixar de reparar em um detalhe: a conversão de m² para km² está errada.

    exemplo: 36 milhões de metros quadrados equivalem a 36 quilômetros quadrados e não a 36 mil km quadrados.

    1 km² = 1 000 000 m², assim como:
    1 m² = 0, 000 001 km²

    Pra confirmar: http://www.rumbo.com.br/htm/viagens/conversor_medidas/br/area_pt.htm

    Flws! ~

  5. Deixem-me responder a todos.

    Felipe, muito obrigado pela referência, mas não sou político. Sou um homem de idéias, que gosta de debater idéias. Quando pedi ao Renê oportunidade para escrever neste blog, meu único desejo era (e continua sendo) debater idéias com os leitores, que, como já vinha observando por algum tempo, pessoas inteligentes e muito informadas. Se, de quebra, eu puder fazer alguns amigos, ótimo. Caso contrário, já me sentirei realizado.

    Neto,
    Peço desculpas por não discutir os temas, que você colocou. É que eu, por razões justificáveis, sou proibido por lei de participar de partidos políticos e de debater temas político partidários.

    Renê,
    Quanto à Lei Municipal de São Paulo, publicada no site http://www.destakjornal.com.br/noticia.asp?ref=9191, cujo link você me enviou (muito obrigado), sem dúvida é uma evolução. Entretanto, não se trata da mesma tecnologia. Em São Paulo, será obrigatório o aquecimento solar, que é muito diferente da energia elétrica fotovoltaica, que é a que eu defendo. Em verdade, aquecimento solar é uma tecnologia muito antiga e de pouco valor agregado, que não gera eletricidade, mas apenas energia calorífica.

    Meu caro Lucas,

    Desculpe-me, mil vezes pela vergonha que passei! Eu sempre fui uma lástima em matemática. (Você já viu algum operador do Direito, que seja bom em matemática? Eu não conheço nenhum. Ha. Ha. Ha.). “Mea culpa, mea culpa, mea tão grande culpa”. Agradeço a intervenção, que corrigiu meu erro.
    Brincadeiras à parte. Estou, de um lado, envergonhado pelo erro e, de outro, agradecido pelo reparo e alegre, porque, se entendi corretamente (novamente, não estou confiando em meus conhecimentos de matemática), todos os meus cálculos relativos à quantidade de espaço a ser coberto por células fotovoltaicas deveria ser dividido por mil, o que reduziria em muito o custo. Por favor, confirme ou corrija este novo cálculo.

    Abraços a todos.

  6. Rômulo,

    Esta notícia lembra algo que aconteceu na terrinha verde e amarela uns anos atrrás… esperamos que não volte a acontecer.

  7. O IBAMA acaba de conceder licença ambiental prévia para as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Trata-se de uma grande notícia, porque elas poderiam vir a produzir energia a partir de 2.012.

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