Joost, YouTube e você: tudo a ver

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Quanto Niklas Nennstons e Janus Friis lançaram a Joost, afirmaram que, daquele dia em diante, a televisão não seria a mesma. Poucos duvidaram. Afinal, eles já haviam colocado de cabeça para baixo as indústrias fonográfica e de telefonia com seus KazaA e Skype. E quem já teve oportunidade de navegar por aquela revolucionária TV por Internet tem muitas razões para acreditar nesta previsão. Afinal, ela consegue aliar o melhor da HDTV com toda a interatividade da Web 2.0, além do conteúdo de parte de grande parte das emissoras do mundo, com a liberdade de podermos assistir os programas, no momento que desejarmos, coisa que o YouTube havia inventado cerca de um ano antes. Assim, apesar de ser um beta, tem um grande futuro e o mundo inteiro está de olho nesta revolução.

Na Info deste mês, o colunista Dagomir Marquezi mostrou um panorama completo da Joost, que já tem competidor.


Entretanto, a vida da Joost, neste início, não são apenas flores. O serviço é ainda instável e dependerá de fortes investimentos em servidores e redes, onde entrarão as empresas de telecom e cabo. Nesta semana, o site TechCrunch abordou muito apropriadamente o tema (merece ser lido).

Importante que se diga, quem começou esta febre do vídeo pela Internet foi o YouTube. São plataformas totalmente diferentes, mas têm uma origem comum: a TVIP.

Desde de que a Google comprou o YouTube, muita coisa mudou no mercado de vídeo na Internet. Ela se tornou líder de vídeos. Muitos competidores apareceram. A Google Vídeo se tornou buscador de vídeo, deixando a vocação de gerador de conteúdo para o YouTube. A News Corp. se firmou como a segunda do mercado com sua poderosa MySpace etc. E não nos esqueçamos da entrada no mercado na notável Apple TV (agora com conteúdos YouTube). O próprio YouTube mudou muito, tendo agregado muitas funcionalidades novas, inclusive se aproximando de programações próprias de TVs, como, por exemplo, apresentação interativa de debates presidenciais americanos, em conjunto com a CNN, apesar de Erich Schmidt afirmar que “YouTube não é televisão, mas uma nova forma de distribuir vídeo”. Mas não vale lembrar que ele mesmo desdenhou da criação do Joost, dizendo que a Internet não tinha estrutura para esta tecnologia e, logo depois anunciou a criação de enormes centros de dados nos EUA e Europa. Será para que?

Pelo visto, o Joost tem muitas diferenças com o YouTube, mas também tem sinergias. Assim, no futuro, poderão continuar a competir, ou se unirem.

Mas este xadrez é complexo, pois há muitos outros “players”, que poderiam embolar o jogo.

A primeira que me vem à cabeça é a Microsoft, que depois da compra da aQuantive e da criação do site Soapbox, entrou de vez na briga pela rede. Também no campo da Internet, a Yahoo!, MySpace e outros. As próprias televisões tradicionais, como CBS, NBC, News Corp., ABC, Discovery e, por que não dizer, também a nossa TV Globo (Plim! Plim!). Ainda vejo a possível concorrência das empresas de telecom e cabo, como AT&T e Comcast. Por final, vejo como concorrentes a criar uma empresa semelhante ou comprar o Joost os estúdios de cinema, como a Sony e a Viacom.

Quanto à Viacom, aliás, vale um parêntese. Ela está processando o YouTube em US$ 1 Bilhão por alegada infração a direitos autorais e a sentença parece não ser muito interessante para nenhuma das partes. (Mas este é outro assunto, que vale outra conversa, pois é muito interessante.) Entretanto, depois que o Steve Chen assumiu publicamente que eles estão fazendo um sistema de controle de direitos autorais de músicas e vídeos, já tem jornalistas americanos dizendo que um acordo é possível. E não podemos nos esquecer que a Viacom investe no Joost.

Será que poderia haver um acordo com a Viacom, que incluísse a compra do Joost pela Google e até a transformação de Niklas Nennstons e Janus Friis em Googlers? Isto é muito pouco provável, mas não me espantaria se acontecesse.

Rômulo de Araújo Mendes é Juiz de Direito em Brasília e especialista em Direito Eletrônico.

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