

Google Books acaba de anunciar uma nova funcionalidade chamada My Library, que permite que selecionemos os livros de nossa preferência, guardando suas referências em repositório próprio, para leitura ou consulta posterior. Esta nova funcionalidade me motivou escrever um post sobre um tema, que há muito tenho tido vontade: a escassa presença de livros digitalizados no idioma português.Os livros listados no Google Books como redigidos em língua portuguesa são muito poucos e, em geral, não comportam leitura de conteúdo, por não se encontrarem em domínio público. E há uma razão para isso: a maioria dos países, que possuem muitos livros digitalizados disponíveis contam com o apoio de grandes universidades, mas aqui no Brasil não há notícia de qualquer universidade ter aderido a quaisquer programas, seja o da Google, seja o da Microsoft. Talvez porque as maiores bibliotecas brasileiras sejam pertencentes ao Poder Público.
Diante desta constatação, tomei o cuidado de fazer uma breve pesquisa em algumas das principais instituições brasileiras, possuidoras de grande acervo bibliográfico e encontrei o seguinte panorama:
| INSTITUIÇÃO |
ACERVO ESTIMADO |
POSSUI ACERVO DIGITAL? |
FACILIDADE DE ACESSO AO ACERVO DIGITAL |
| Fundação Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro |
8.500.000 peças, entre livros, mapas, músicas, documentos etc |
Sim |
Não |
| Universidade de São Paulo |
Não encontrado |
Sim (excelente acervo de teses) |
Não |
| Universidade Federal de Minas Gerais |
Não encontrado |
Não encontrado |
Não |
| Universidade Federal do Rio de Janeiro |
Não encontrado |
Não encontrado |
Não |
| Universidade de Brasília |
Não encontrado |
Sim |
Não |
| Domínio Público – CAPES |
Não encontrado |
Sim |
Sim |
Há outras grande bibliotecas no Brasil. Apresentei estas apenas a título de exemplo, para demonstrar o quanto estamos perdendo em não disponibilizar ao conjunto da população brasileira as obras existentes em nossas bibliotecas públicas via Internet. Isto sem contar que a digitalização permite, a um só tempo, a consulta e leitura dos livros por pessoas, que, em princípio, nunca teriam acesso a estas obras e preserva os originais em papel, que deixam de ser manuseados. Em um país tão carente de educação e cultura, quanto mais acesso aos livros nós pudéssemos dar, melhor para todos.
O custo desta digitalização, entretanto, é muito grande para o Estado Brasileiro. Talvez a solução para este problema fosse a União Federal abrir uma concorrência internacional para uma parceria público-privada, da qual poderiam participar quaisquer empresas dispostas a digitalizar o acervo de livros em regime de domínio público. Os interessados poderiam dar como contrapartida parte da verba publicitária advinda da exploração do serviço (que serviria para a atualização e conservação do acervo físico das bibliotecas públicas nacionais), além de cópias digitais e de sistemas de buscas, de forma a permitir manter também em poder da União o acervo em formato digital. Desta forma, todos ganhariam.
De cara, vejo como possíveis concorrentes a própria Google e a Microsoft, podendo até surgir outros.