Afinal, teremos um Googlepon? [Opinião]

Por em 9 de dezembro de 2012 – 21:18

Em dezembro de 2010, a Groupon Inc., proprietária do site de compras coletivas Groupon, recusou a oferta de compra feita pela Google no valor de USD$ 6 bilhões em dinheiro. Depois disso, a empresa foi a público, tendo sido avaliada, no dia 04/11/2012, pelos investidores da NASDAQ, em USD$ 13 bilhões. Assim, aparentemente, estariam descartadas quaisquer possibilidades de um dia a Google comprar a Groupon Inc., agora uma empresa de capital aberta e, portanto, muito mais difícil de ser adquirida, em face de seu capital pulverizado.

No entanto, as notícias não têm sido muito boas para a Groupon Inc., desde a abertura. Os resultados financeiros não têm sido como o esperado, os custos estão sendo muito grandes e os lucros, menores que o desejado. O mercado de cupons de desconto também não está muito bem. Somente para exemplificar, cito o caso do LivingSocial, site ligado à Amazon, a vice-líder do mercado e que está em processo de reestruturação e demitindo em massa, porque não está tendo os resultados financeiros esperados. A Google montou o serviço Google Offers, mas ele ainda não decolou. Tudo isto fez com a empresa fechasse o pregão da quinta-feira, 06/12/2012, valendo USD$ 2,498 bilhões, ou seja, USD$ 10,502 bilhões menos que em seu lançamento na bolsa de valores.

Na última sexta-feira, 07/12/2012, porém, as ações da Groupon Inc. subiram 22,97% durante o pregão, depois que surgiu um boato, que foi publicado pela Bloomberg, segundo a qual, a Google estaria para fazer uma oferta de compra de todas as ações da Groupon Inc.

A isto juntaram-se as informações de que Andrew Mason, presidente e fundador da empresa, estaria perdendo poder de decisão sobre os destinos da organização e de que a Google acabara de reestruturar seu departamento de fusões e aquisições, com vistas a aumentar a sua capacidade avaliar empresas, com vistas a melhor aproveitar o seu enorme volume de capital.

A pergunta que se deve fazer é a seguinte: mas se a Groupon Inc. está em um mau momento, comprá-la não seriam um negócio ruim para a Google?

A resposta é a seguinte: não, necessariamente.

Em verdade, são vários os fatores envolvidos. De um lado, o site Groupon, atuando isoladamente, pode não ser viável, porque tem custos elevados. No entanto, grande parte destes custos é junto à própria Google, que os absorveria (pelo menos, em parte), em caso de incorporação. Assim, o Groupon, de início, começaria sofrendo uma reestruturação, para ficar mais magro e mais rentável.

Ademais, a união das plataformas daria uma capacidade a mais ao Groupon de atingir o seu público-alvo, o que é mais um fator de rentabilidade.

As sinergias com o Google poderiam ser vistas por quem está de fora como sendo, em princípio, com as seguintes divisões: pesquisa, mapas, gmail, livros, shopping, android, busca de vôos (Ita Software), Google+, Zagat, Google AdWords, Google AdSense, DoubleClick, AdMob, Google Wallet, Google Offers, Google Analytics e Google Catalogs.

Se considerarmos que hoje a empresa deve valer algo entre USD$ 2,5 bilhões e USD$ 4 bilhões, a depender da avaliação, que deve estar sendo feita por auditores e do prêmio a ser pago aos investidores para o fechamento do capital, continua a ser um valor considerável, principalmente em se sabendo que é uma empresa não muito rentável, mas bastante suportável para a Google, que possuía em caixa, em setembro deste ano, USD$ 45 bilhões. Isto sem contar que está para vender a divisão de set-up boxes para TVs a cabo da Motorola, em um negócio, onde deverá embolsar um valor estimado em USD$ 2,5 bilhões.

Nesta conta, devemos considerar que um eventual prejuízo financeiro direto com as operações do site Groupon poderiam ser largamente compensados com os benefícios que a plataforma, de imediato, ofertaria à Google como um todo. Afinal, a colocaria como líder do mercado de cupons de descontos e, como corolário, na disputa pelo milionário mercado do comércio eletrônico, neste caso, em uma posição muito melhor, para disputar com a Amazon. Afinal, a Groupon Inc. está fincada em mais de 500 mercados de 48 países.

Além do mais, esta compra poderia ser defensiva em face do Facebook, que parece também estar interessado na empresa de venda cupons de descontos. Afinal, este seria o passe de entrada da gigante das redes sociais no comércio eletrônico.
Por todos estes motivos, eu não me espantaria, se, amanhã, 10/12/2012, ou nos próximos dias, por volta das 12 horas, no horário de Brasília, antes, portanto, da abertura das bolsas de valores americanas, as duas empresas anunciassem à SEC e, depois, publicamente, um acordo para a compra da Groupon Inc.

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