Google investe em linhão de energia eólica no mar

Por em 12 de outubro de 2010 – 16:39

A Google anunciou ontem ter entrado como sócia no linhão de transmissão de energia elétrica, que ligará as usinas de energia eólica offshore, que serão construídos no Oceano Atlântico, na costa dos estados de New Jersey, Rhode Island, Massachusettes e Virgínia ao resto da rede elétrica dos Estados Unidos.

Calcula-se que o potencial de produção de energia elétrica através da matriz eólica no mar, apenas naquela região dos Estados Unidos, a chamada Mid-Atlantic Cost, é de 60.000 MW. Isto representa aproximadamente a capacidade de geração de 4,28 vezes a potência instalada da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

O linhão, que será construído, ao qual a Google se juntou, ligará usinas eólicas, que gerarão 6.000 MW de energia elétrica, o que corresponde à capacidade de produção prevista para a soma das Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em construção no Rio Madeira, em Rondônia.

Faço este paralelo para mostrar a verdadeira lição, que nós brasileiros devemos tirar desta notícia: a matriz energética brasileira é baseada na geração hidrelétrica e, seja em razão de custos, seja em função da abundância de recursos hídricos, poderá e deverá ser muito elevada nos próximos anos, em face da nossa extrema necessidade de aumento da produção de eletricidade. No entanto, não devemos nos esquecer de que a diversificação da matriz energética é fundamental para a segurança do sistema, a fim de evitarmos carências, notadamente, no nosso caso, em épocas de estiagem, quando os niveis dos reservatórios das hidrelétricas ficam reduzidos e tendem, como corolário, a reduzir a produção de eletricidade. Neste contexto é que poderiam surgir as complementações com outras energias renováveis, especialmente a eólica, cujo preço do MWh e a escala de produção já podem ser considerados competitivos e aptos a substituir outras fontes.

Eu não consegui dados acerca do potencial de produção de energia eólica brasileira tal como é o projeto enfocado aqui, ou seja, em alto mar, mas dados do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, nosso país teria potencial de produzir em terra 143.000 MW de energia com a força dos ventos. Isto corresponde a 10,21 vezes a potência instalada da Usina Hidrelétrica de Itaipu. No entanto, estes dados, repito, referem-se ao potencial eólico em terra.

Acredito, no entanto, tenhamos um enorme potencial de geração eólica offshore. Tomando como parâmetro o fato de que em alto mar as correntes de vento costumam ser mais fortes e a simples observação, por exemplo, do litoral norte do Estado do Rio Grande do Norte, o Brasil poderia facilmente obter um gigantesco potencial de geração elétrica a partir dos ventos em alto mar, talvez maior até que em terra.

É claro que os desafios para a montagem dos geradores e das redes de transmissão submarinas são também maiores. No entanto, o crescimento do Brasil passará, necessariamente pela geração de grande quantidade de energia limpa e renovável.

Assim é que precisamos nos atentar para o projeto Atlantic Wind Connection, ao qual a Google acaba de se associar, porque temos no Brasil um gigantesco potencial eólico offshore ainda inexplorado e que poderá vir a ser de grande valia para o desenvolvimento das futuras gerações.

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Comentários (7) Categorias: Google


7 comentários sobre “Google investe em linhão de energia eólica no mar”

  1. renefraga disse:

    Eu voto no Google para presidente! :-)

    Infelizmente é preciso que uma empresa demonstre o futuro para que outras companhias corram atrás e invistam em um avanço da tecnologia sustentável. Esta não é a primeira vez que o Google mostra que a tecnologia verde faz bem para o mundo e para seu lado corporativo, os escritórios de Mountain View são atualmente abastecidos parcialmente com energia solar.

    Parabéns pelo excelente artigo, Rômulo!

  2. llfelipell disse:

    Excelente post! Muito interessante esse projeto de energia eólica offshore.

  3. Enquanto em Terra Brasilis abandonamos tudo que pregávamos como energia limpa e sustentabilidade em detrimento do Pré-Sal, onde gastaremos bilhões de US$ para extrair uma fonte poluidora e que há bem pouco tempo renegávamos…

  4. Marcio Rodrigues disse:

    Excelente noticia, bem que as maiores empresas do mundo poderiam adotar idéias e práticas sustentáveis como essa do Google. Isso poderia impactar na mente de muitos fanboys que abrem a janela do carro e jogam o lixo nas ruas e estradas.
    Gostaria de saber que uma dessas gigantes da tecnologia estaria investindo nas Árvores Artificiais, para que muito rapidamente elas possam estar nos grandes centros metropolitanos.

  5. Leandro disse:

    Eu voto no Google para presidente! [2]
    Não sabia que existia tanto pontencial na energia eólica. Aqui no Ceará existe 2 parques eólicos sendo que há um que fica em um quebrar mar proximo ao porto daqui, realmente é uma boa solução. Sendo a única poluição a sonora, mas isso não gera nenhum problema, quando criado uma área de isolamento.

  6. msde rwois disse:

    Amei a reportagem